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Heranças em Portugal: o que pode mudar e quais os novos desafios para as famílias?

11 de agosto de 2026 · por Sandra Maia

Heranças em Portugal: o que pode mudar e quais os novos desafios para as famílias?

A reforma do Direito Sucessório português prevê novos mecanismos para desbloquear heranças indivisas, reforçar os poderes no testamento e criar alternativas como a arbitragem sucessória. Mas poderá uma mudança na lei resolver os conflitos familiares? Uma reflexão sobre heranças, partilhas e a importância de uma abordagem sistémica.

# Heranças em Portugal: o que pode mudar e quais os novos desafios para as famílias?

Uma reforma importante está a caminho do Direito Sucessório português.

A proposta prevê novos mecanismos para desbloquear heranças indivisas, incluindo a possibilidade de venda judicial de imóveis em determinadas situações, com avaliação, oposição, conciliação e, quando aplicável, leilão eletrónico.

Prevê também:

- **Mais poderes no testamento**, incluindo poderes de administração e partilha. - **Arbitragem sucessória**, como alternativa para determinados conflitos. - **Mecanismos destinados a facilitar a resolução de situações de indivisão.**

O objetivo é claro: facilitar a resolução de situações de indivisão e tornar a sucessão mais eficiente.

## Mas será que uma nova lei resolve um conflito familiar?

Aqui está, para mim, a questão mais importante.

A lei pode criar mecanismos. Pode estabelecer procedimentos. Pode facilitar a venda de um imóvel. Pode permitir a oposição, a avaliação e a conciliação.

Mas não consegue apagar a história daquela família.

Porque uma herança não é apenas património.

É memória. É história. É relações.

E, muitas vezes, são emoções acumuladas durante anos.

Uma venda pode resolver a indivisão de um imóvel.

Uma partilha pode terminar um processo.

Mas nenhuma decisão garante, por si só, a reconstrução de uma relação familiar.

## O desafio vai além da partilha do património

Quando uma família entra num conflito sucessório, aquilo que parece ser uma discussão sobre dinheiro ou património pode envolver questões muito mais profundas: reconhecimento, pertença, igualdade, antigas mágoas, expectativas e relações familiares.

Por isso, considero essencial olhar para estas situações para além da dimensão exclusivamente patrimonial.

## O papel da Justiça Sistémica

É neste espaço que vejo o papel da **Justiça Sistémica**: uma abordagem complementar que procura olhar não apenas para o património e para o Direito, mas também para as dinâmicas familiares que podem estar por detrás do conflito.

A Justiça Sistémica não substitui o advogado, o tribunal ou os mecanismos legais.

Acrescenta uma outra leitura ao conflito: a leitura do sistema familiar.

O objetivo é ajudar a identificar as dinâmicas relacionais que podem estar a dificultar o entendimento e a construção de soluções.

Porque resolver uma herança não significa apenas determinar quem recebe o quê.

Significa também, quando possível, criar condições para que a família consiga atravessar esse processo sem destruir definitivamente as relações que permanecem.

## A verdadeira questão

**Como resolver uma herança sem destruir a família?**

Planear antes do conflito.

Dialogar antes do bloqueio.

Resolver antes da rutura.

Porque uma herança pode transmitir património.

**Mas também pode transmitir conflitos de geração em geração.**

E talvez a verdadeira mudança não esteja apenas na forma como vamos partilhar uma herança.

Mas na forma como podemos **preservar as relações familiares enquanto a partilhamos.**

Nota importante: Este artigo tem caráter informativo e não substitui aconselhamento jurídico. As alterações referidas resultam da reforma do regime sucessório prevista na documentação legislativa analisada e a sua aplicação concreta dependerá da respetiva concretização legislativa e regulamentar. Cada situação familiar e sucessória deverá ser analisada individualmente.

**Sandra Maia** *Consultora Sistémica | Justiça Sistémica*

*Uma abordagem complementar aos conflitos familiares, heranças, partilhas e divórcios.*

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